Por Isaias Costa

É interessante perceber que a maioria das pessoas tem um imensa confusão com relação a fé e confiança. Pensam que é a mesma coisa, mas não são! São absurdamente diferentes, e nesse texto falarei um pouco sobre isso, inspirado nas lindas palavras do mestre Osho, extraídas do seu livro chamado “Confiança”.

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“A fé é apenas uma sobreposição. É como beijar uma pessoa que você não ama. Do lado de fora é tudo igual, você está fazendo o gesto de beijar. Nenhum cientista vai encontrar nenhuma diferença. Se você beijar uma pessoa, a cena, o fenômeno fisiológico, a transferência de milhões de germes de um lábio para o outro, é tudo exatamente igual se você ama ou não. Se um cientista observar e investigar, qual será a diferença? Nenhuma diferença, nem um pingo de diferença, o cientista vai dizer que ambos são beijos e idênticos. Mas você sabe que, quando você ama uma pessoa, então algo do invisível passa entre vocês que não pode ser detectado por nenhum instrumento. Quando você não ama uma pessoa, então você pode dar um beijo, mas nada passa entre vocês. Nenhuma comunicação de energia, nenhuma comunhão acontece.

O mesmo acontece com a fé e a confiança. A confiança é um beijo cheio de amor, com um coração profundamente amoroso, e a fé é um beijo sem amor nenhum.”

Osho

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Achei simplesmente perfeita a sua metáfora. Provavelmente uns 99,99% das pessoas já beijaram alguém sem sentir esse amor, e você vai concordar comigo que o mínimo que dizemos internamente quando não sentimos essa conexão ao beijar alguém é: “Poxa! Que beijo sem sal…”. Sem sal exatamente porque falta o gosto bom que vem da conexão emocional que acontece em um instante quase imperceptível.

A confiança é muito mais forte e genuína do que a fé. Esse conceito foi extremamente deturpado pelas religiões ao longo dos séculos e até mesmo milênios. Quando falamos em fé pensamos na mesma hora em Deus, e por consequência somos condicionados a associar essa fé com alguma religião em especifico.

A confiança está muito além de qualquer religião, ela transcende absolutamente as religiões. É algo ligado diretamente ao nosso SER, ao lado divino que existe dentro de cada um de nós!

Ambas as palavras tem em sua raiz a relação com a palavra FIO, ou seja, uma ligação, uma conexão com algo ou com alguém.

Perceba! Quando falamos em fé, é automático associarmos com Deus ou com o destino, com as projeções para o futuro etc etc. Nada de verdadeiramente concreto, percebe? Ninguém diz: “Tenho fé na minha esposa”, “Tenho fé no meu marido”, “Tenho fé nos meus filhos”.

Mas podemos dizer: “Confio na minha esposa”, “Confio no meu marido”, “Confio nos meus filhos”. Não é interessante? Provavelmente, você ainda não parou pra pensar sob essa perspectiva!

A confiança está relacionada com o mundo concreto, com o mundo da matéria, com as vivências, as experiências, as pessoas, os sentimentos, o olho no olho! A fé é algo muito abstrato.

É preciso entender que a fé tem sim sua importância, mas a confiança é muito mais profunda. Ao ler esse trecho do livro do Osho, eu me reportei a uma linda entrevista que vi há bastante tempo, do grande psicoterapeuta Carl Jung. O entrevistador perguntou pra ele se ele acreditava em Deus ou se ele tinha fé na existência de uma divindade.

Daí ele não respondeu nem que acreditava nem que tinha fé. Ele simplesmente disse: “Eu sei”.

Depois fez um silêncio total, mostrando uma serenidade de uma alma extremamente evoluída e conectada com essa essência divina. Eu sou muito fã do mestre Jung também, e digo sem nenhuma reserva que seu trabalho foi um aprimoramento muito elegante da teoria Freudiana. Ele bebeu dessa fonte riquíssima de conhecimento, mas em minha opinião, ele conseguiu ir ainda mais longe que o Freud, pois introduziu toda a parte metafísica e espiritual em suas teorias da mente humana.

Jung era um homem de confiança! De total confiança. Por isso ele será eternizado. Assim como o Osho. E esses mestres vêm nos ensinar a também fazermos brotar de dentro de nós essa confiança que está embotada por causa da sociedade e da cultura.

O Osho inclusive fala nesse livro que a confiança não se cultiva, não é algo que se desenvolve nem se aprimora. Nada disso! Ela é o que é. Para que ela se manifeste basta que eliminemos aos pouquinhos de dentro de nós o que impede a sua manifestação, que são as nossas DÚVIDAS.

Também ao contrário do que muitos pensam, a dúvida é maravilhosa, ela é um trampolim para a confiança. Só desenvolve a verdadeira confiança quem antes teve muitas dúvidas e foi sanando essas dúvidas através do autoconhecimento. Mais uma vez ele é certeiro em suas colocações!

Veja as pessoas que são super religiosas, que são fanáticas em suas religiões. Elas tem dúvidas? Dificilmente! E se aparece algum fiel com dúvidas eles dão um jeito de calá-lo. Daí os que realmente vão em frente em suas dúvidas quase sempre se libertam das religiões e buscam na autenticidade do ser expressar a confiança que já existe dentro delas! Não é incrível?

Eu amo as pessoas que tem dúvidas. Não é à toa que escolhi ser professor! Uma profissão que o tempo inteiro trabalha com as dúvidas dos alunos e os ajuda a saná-las através do conhecimento e do autoconhecimento.

Aqui estou fazendo a mesma coisa! Estou com esse texto lhe instigando a não ter medo das suas dúvidas, muito pelo contrário, que você encontre as respostas que tanto almeja. Quanto mais perto você chegar das respostas para as suas dúvidas, mas autoconfiante você se tornará, e aos pouquinhos vai abrindo essa porteira da verdadeira confiança, com isso sentirá esse beijo gostoso e cheio de amor que a vida pode proporcionar através dela…

FONTEPara além do agora
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A Grande Arte De Ser Feliz

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