O que caracteriza as pessoas emocionalmente imaturas? As questões da maturidade e imaturidade trazem consigo muitos mitos. As pessoas não admitem ser rotuladas ou analisadas por um único aspecto. A personalidade é a soma dos padrões de conduta reais e potenciais e é determinada por três fatores: a herança (o nosso patrimônio genético, aquilo que herdamos dos nossos pais), o ambiento (aquilo que nos cerca) e a experiência de via (a biografia de cada um).

Assim, a personalidade é a marca própria e específica de cada um. O cartão de visita. Noutras palavras, a personalidade é uma organização dinâmica, em movimento, em que confluem os aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais de um indivíduo. Ninguém nasce sabendo lidar com qualquer situação na vida. O que acontece é que algumas pessoas usam sua experiência a seu favor. Cada problema se torna um aprendizado e você deixa de se preocupar com problemas pequenos. Existem pessoas que atingem essa maioridade depois de uma idade mais avançada, outras ainda na juventude. Não há regras.

As pessoas imaturas creditam que o mundo gira ao seu redor e está aí para satisfazer os seus desejos e fantasias, ou que a realidade deve se ajustar ao que elas desejam. Da mesma forma, a maturidade emocional pode ser definida como um estado de força e temperança que nos leva a comportamentos realistas e equilibrados.

A pessoa imatura é uma pessoa a meio caminho, com uma psicologia incipiente, incompleta, que não está bem acabada e que tem muitos pontos negativos, mas que pode mudar, melhorar e tornar-se mais sólida, com a ajuda de um psiquiatra ou da psicoterapia.

Confira, a seguir, oito características que são próprias das pessoas emocionalmente imaturas.

1. Medo de pedir ajuda:

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas as pessoas imaturas costumam se esconder atrás de um sinal de covardia e despreparo: elas fazem tudo sozinhas mesmo que façam mal feito. Na verdade, elas não querem admitir que muitas vezes para se alcançar um objetivo é preciso de uma equipe que junta se apoia, se socorre e se fortalece. Uma pessoa imatura acha que pedir ajuda é algo humilhante, na realidade elas não conseguem admitir que alguém pode saber mais do que ela e mais, ela espera que os outros estejam prontos para ajudá-la sem que ela precise pedir.

2. Egocentrismo

Parece muito difícil para uma pessoa imatura entender que o mundo não gira ao redor do seu umbigo. Para este tipo de personalidade todos devem servi-lo, como um bebê que necessita ser amamentado a cada duas horas. Essa pessoa não percebe que há muito mais coisas no mundo do que o seu reflexo no espelho.

3. Instabilidade emocional

A instabilidade emocional manifesta-se em mudanças do estado de ânimo: o sujeito passa da euforia à melancolia de um dia para outro ou mesmo dentro de um mesmo dia. É preciso distinguir essa variação dos chamados transtornos bipolares. O imaturo é desigual, variável, irregular, os seus sentimentos movem-se e balançam como um pêndulo, de maneira que ninguém nunca sabe o que esperar dele. Essa fragilidade é um traço bem característico da imaturidade. O seu estado de ânimo pode ser representado pelos dentes de uma serra, uma espécie de montanha russa cheia de oscilações.

4. Dificuldade para assumir compromissos

Enquanto se é criança, é muito difícil desistir do que deseja naquele momento para alcançar um objetivo a longo prazo. Em uma festa de aniversário, diante da mesa de doces, ela não espera a hora dos parabéns e prefere ser repreendida com a cara toda suja de chocolate do que ter que esperar pelo fim da festa, o desejo de comer os doces que tem à mão se imporá às normas.

Com a maturidade é compreensível que existem regras e limites que são necessários para a vida em sociedade e para o sucesso. Comprometer-se com uma meta ou uma pessoa não é uma limitação da liberdade, mas uma condição para se projetar melhor a longo prazo.

5. Desconhecimento de si mesmo

No templo dedicado ao deus Apolo, em Delfos, havia a inscrição: Gnothi Seauton, “conhece-te a ti mesmo”. Trata-se de ter claro que aquilo que devemos estudar com mais afinco somos nós mesmos, temos de saber quais são as nossas limitações e as nossas atitudes. O conhecimento dessas realidades é como que a carta de navegação que nos ajuda a guiar-nos para uma vida adequada.

6. Culpa os outros

As crianças acreditam que todo erro acarreta uma punição e, na maioria das vezes, não agem conforme a sua vontade. Elas não se importam muito com os danos que causaram, mas com a maneira que serão punidas ou nos castigos que receberão. Por isso é frequente responsabilizar outras pessoas pelos seus erros: seja o irmãozinho, a prima, a doméstica ou o amiguinho da escola. Não fazem isso por pura maldade, mas como auto proteção.

Para crescer é preciso abandonar esse modo de se relacionar irresponsável. Amadurecer é saber que somos os únicos responsáveis pelo que fazemos ou não. Reconhecer os seus erros e aprender com eles faz de uma pessoa, alguém maduro. Reparar os danos que causou e aprender a pedir desculpas é sinal de maturidade.

7. Imaturidade afetiva

É preciso compreender o que é o amor e vê-lo como um sinal de nossa evolução sentimental. O amor dá sentido à vida. Mas não há amor sem renúncias. Entretanto, ninguém é dono de ninguém é preciso manter a individualidade, sem posses. Não há amor eterno; ele só existe nos filmes, nas canções da moda e na cabeça das pessoas imaturas. O que, sim, existe é o amor trabalhado a cada dia. Amar não significa ter sentimentos doces, mas voltar-se juntamente com o outro para as pequenas realidades cotidianas.

8. Irresponsabilidade no gasto de dinheiro

Uma marca registrada das pessoas imaturas é a impulsividade. Uma impulsividade que se apresenta invariavelmente na maneira como administram seus recursos, como por exemplo, o dinheiro. Assim, a fim de satisfazer os seus desejos imediatamente, ou os seus caprichos compram o que não precisam com o dinheiro que não têm. Não analisam objetivamente os investimentos e não conseguem avaliar consequências. Vivem sempre endividadas.

*A maturidade leva à evolução pessoal do ser humano. É resultado de um processo paciente, trabalhoso e muito sério de perder e agregar, de polir, de limar, de procurar que a nossa forma de ser seja como uma pedra dessas que vemos nos rios que quase não têm arestas. Se você conhece alguém assim, não o julgue. O mais importante é perceber que o seu próprio crescimento emocional pode levá-lo à uma vida melhor.

FONTEFãs de psicanálise
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