Por Jennifer Delgado

Um discípulo e seu professor caminhavam pela floresta. O discípulo ficou perturbado pelo fato de que sua mente estava constantemente inquieta, ele não conseguia parar de pensar. Ele se preocupava em não alcançar a iluminação.

No entanto, ele também estava envergonhado de admitir isso, então perguntou ao seu professor indiretamente:

“Por que as mentes da maioria das pessoas estão inquietas e apenas alguns têm uma mente tranquila”? O que pode ser feito para aquietar a mente?

O mestre olhou para o discípulo, sorriu e disse:

“Eu vou te contar uma história”. Um elefante estava de pé, colhendo folhas de uma árvore. Uma pequena abelha voou e zumbiu perto de sua orelha. O elefante afugentou-a para longe com as orelhas compridas, mas a abelha retornou. O elefante se afastou mais uma vez, movendo as orelhas.

A situação foi repetida várias vezes. Então o elefante, muito irritado com o zumbido da abelha, perguntou-lhe:

“Por que você é tão inquieta e faz tanto barulho? Por que você não pode simplesmente pousar em um galho e parar de me perseguir?”

A abelha respondeu:

“Sou muito sensível a alguns odores, movimentos repentinos e vibrações. Eu não posso fazer nada para evitá-los, porque eles indicam um perigo de ataque para a colmeia e isso faz estimular nosso instinto defensivo. É você quem está me irritando. Se você ficar quieto, eu vou me acalmar também”.

Nesta parábola, o elefante é a nossa mente e a abelha representa nossos pensamentos. De fato, em muitas ocasiões nos comportamos como o elefante, permitindo que nossos hábitos de pensamento e atitudes tirem a serenidade e a paz interior.

Você tem um locus de controle externo ou interno?

Somos uma sociedade que olha muito o que tem do lado de fora, mas muito pouco para o nosso interior. Como resultado, é comum desenvolvermos o que na Psicologia é conhecido como o “locus de controle externo”.

Quem tem um locus de controle externo atribuem seus sucessos e fracassos a causas externas, culpa o sistema, seus pais, a situação econômica… Estas são as pessoas que estão em luta constante com o mundo e pensam que o universo conspira contra elas. Mas como essa batalha é perdida antes de combatê-la, como resultado, eles frequentemente experimentam um profundo sentimento de falta de controle que, muitas vezes, os mergulha em ansiedade e depressão. Com o passar do tempo, essas pessoas tornam-se reativas, como o elefante da história, tornando-se marionetes das circunstâncias.

Obviamente, as circunstâncias desempenham um papel em nossas vidas, não podemos ignorá-las, mas se desenvolvermos um locus de controle interno, em vez de ficarmos irritados e tristes quando as coisas dão erradas, nos perguntarmos o que podemos fazer para melhorar. O mundo não está brigando contra nós, e não é nenhuma necessidade de lutar contra o que acontece, entendendo aí a luta como a negação dos fatos. Pelo contrário, devemos praticar a aceitação radical, desenvolvendo um locus de controle interno que nos permita focar em mudar o que podemos mudar. Essa mudança gerará um sentimento muito positivo de fortalecimento.

Evidentemente, desenvolver um locus interno de controle também significa assumir responsabilidade por nossos sucessos e fracassos. Isso significa que, em vez de reclamar porque a abelha vibra ao nosso redor, devemos nos perguntar o que estamos fazendo para provocar essa situação e, acima de tudo, o que podemos fazer para mudá-la a nosso favor.

Como passar do pensamento catastrófico para a mente calma?

Na base do locus de controle estão os nossos hábitos de pensamento, por isso é vital que prestemos mais atenção neles. Toda situação gera uma série de pensamentos que acabam agravando ou amenizando nossa visão do que acontece. Nenhum fato é objetivo, sempre vemos o mundo através da nossa subjetividade.

Portanto, não são apenas os fatos que geram sofrimento emocional, mas a interpretação que fazemos deles e a importância que conferimos.

Como o elefante na parábola, é importante entender que muitas vezes o problema não surge da situação original, mas de nossos pensamentos, que nos impelem a reagir inadequadamente. Diante de uma situação desagradável, nossos pensamentos catastróficos correm à solta, se tornam uma bola de neve rolando sem controle montanha abaixo, gerando caos e emoções negativas que nos submergem em um círculo vicioso que é difícil escapar.

Nesse ponto, tentar não pensar em cortar esse fluxo de ideias é totalmente contraproducente, porque só gerará um efeito rebote que aumenta a frustração. Em vez disso, devemos aprender a aceitar esse fluxo de preocupações e emoções negativas, até que possamos assumir uma postura distanciada, como se esse diálogo interno não fosse nosso. Quando o diálogo interior deixar de nos incomodar, teremos superado isso e estaremos prontos para agir conscientemente.

Uma técnica muito eficaz para dominar esse diálogo é desdobrar-se mentalmente e demorar um pouco para refutar aqueles pensamentos que nos assustam, irritam ou estressam. Basicamente, trata-se de se tornar um “advogado do diabo” e procurar argumentos para refutar suas próprias ideias e subtrair o drama. Dessa forma, você diminui seu impacto emocional e assume o controle da situação, desenvolvendo uma mente calma, mesmo no meio da tempestade.

Portanto, a partir de agora, cada vez que você tiver que enfrentar uma situação decepcionante, frustrante ou estressante, pergunte-se em que parte você está se comportando como o elefante, que parte você está lutando contra o mundo. Você está atraindo aquela abelha chata com seus pensamentos e comportamentos? É provável que você descubra que, ao mudar alguns de seus pensamentos ou atitudes, será capaz de lidar melhor com esse problema e diminuir seu impacto emocional.

É uma mudança de mentalidade que vale a pena.

FONTEVida em equilíbrio
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