Por Sil Guidorizzi

Se o caminho é longo eu não sei. Só sei que dentro dele aprendo a ser mais resiliente e menos exigente com a vida.

Os tombos muitas vezes mostraram que nem sempre tive condições de ficar de pé, nem sempre tive condições de achar que tudo dá certo nessa vida.

É isso que estou aprendendo. Dentro de um passo por vez, observo mais, aprecio mais, entendo mais, agradeço muito mais. Se vou com muita sede ao pote, posso me afogar; se deixo ir sem ao menos tentar, não posso reclamar de ninguém, só de mim.

O que fere, muitas vezes, cura com a vivência do tempo, o que acerta os ponteiros internos é a aceitação de que também sou passível de erros. Se o caminho é ilógico, tento ser mais racional; se o amor vem, eu o aceito de forma natural.

É o coração que se movimenta, é a paz que muitas vezes bate e entra. Só sei que não sou mais a mesma, justamente porque virei à mesa, cai do galho, quebrei certos tabus internos. Atravessei o que me segurava e passei a torcer pelos dias para que entre eles eu seja uma sobrevivente que se alimenta de luz.

Já desci do salto, já andei de rasteirinha; aprendi a conviver com a humildade que não é nada além do que o espírito que preserva uma natureza mais humana e condescendente com a realidade, tem que aprender a conviver diariamente construindo um alicerce mais limpo e mais humano.

Dou uma salva de palmas a quem já me deixou à deriva, a quem me ajudou a juntar meus cacos, a quem não reparou nos farrapos que um dia me tornei e que, aos poucos, percebeu uma nova vestimenta em mim.

Venci, suportei, coloquei em evidência a minha natureza de guerreira, minha natureza de ser mais silenciosa e menos filosófica diante das coisas que não podem ser para depois.
Comigo, não é bateu, levou. Comigo é a estratégica retirada e o aguardo de que a justiça de Deus não falha.

Um céu cinzento por vezes me chama para uma conversa mais íntima; um plano mais aberto me mostra quão sublime são os instantes em que posso crescer e sorrir sem ter que me justificar para ninguém.

Se o caminho ficar mais longe, é porque ando descansando demais ando mais precavida e menos pretensiosa ando com menos desespero e angústia na alma.

De qualquer forma chegarei ao meu destino. Está escrito, está nos Planos Dele.
Com ou sem pressa, eu me armo de fé e sigo. Já renasci de onde menos esperavam.
Nenhum julgamento me cabe, porque eu não sei se caibo dentro dele ou dentro de cada um que me enxerga de um jeito diferente.

O tempo saberá mostrar o que fiz da minha vida dentro do que plantei e colhi.
Que seja algo justo e benéfico. Tenho modificado muita coisa em mim.

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A Grande Arte De Ser Feliz
Para todos aqueles que desejam pintar, esculpir, desenhar, escrever o seu próprio caminho para a felicidade.