É praticamente impossível analisar as centenas de artigos publicados a cada ano sobre forças psicológicas.

Eu simpatizo com pais que querem saber quais são os pontos fortes mais importantes para cultivar em seus filhos.

Eu simpatizo com organizações, incluindo escolas, socorristas e empreendedores sociais que querem criar uma cultura na qual cada pessoa pode maximizar seu potencial.

Todos nós somos inundados por informação demais.

Mas há outro problema traiçoeiro na psicologia: muitos pesquisadores concentram suas energias em suas previsões favoritas, nunca testando adequadamente se aquilo merece mais atenção do que as alternativas.

Existem pesquisadores que se especializam em gratidão. Outros se especializam em perdão, outros em autopiedade, ou otimismo, ou coragem, ou apreciação.

Alguns são hiperfocados em felicidade – e um grupo concorrente é hiperfocado no sentido e propósito da vida.

Cada equipe de pesquisa passa muito tempo mostrando como seu bebê prevê uma vida de satisfação, relacionamentos saudáveis, saúde física e outros elementos de bem-estar.

O dinheiro está em jogo – se você conseguir mostrar que o investimento mais valioso é onde você está trabalhando.

A reputação está em jogo – para se destacar da multidão, as pessoas querem mostrar que são os maiores especialistas do mundo em um tópico específico, escrevendo artigos e livros, dando palestras e produzindo workshops sobre suas ideias primárias.

Embora estes programas de pesquisa sejam atraentes para muitos destes especialistas, a lista de forças psicológicas, motivações e sistemas de crença associados ao bem-estar é enorme.

O próximo passo deve ser comparar diretamente estes diferentes atributos em suas capacidades de promover adaptação e ajuste.

Para peneirar este grande número de construções psicológicas ligadas ao bem-estar, os pesquisadores precisam examiná-las simultaneamente ao longo do tempo.

É isso que meus colegas e eu fizemos recentemente com uma amostra de comunidade internacional de 755 indivíduos.

Nós comparamos 10 forças psicológicas em sua capacidade de:

Prever a realização de metas;

Prever as maiores mudanças de bem-estar que resultam da obtenção de metas.
Usando esta abordagem, as forças psicológicas que mais conseguem prever (ou singulares) se as pessoas são bem-sucedidas ao realizar suas metas e derivam o bem-estar destas buscas são as características que mais valem a pena promover ou desenvolver.

Quais as 10 forças que incluímos?

1-Coragem;
2-Gratidão;
3-Curiosidade;
4-Apreciação;
5-Senso de controle interno;
6-Presença de sentido na vida;
7-Uso da força e conhecimento;
8-Atitude de buscar felicidade através de maximizar o prazer e minimizar a dor;
9-Atitude de buscar felicidade através de participação em atividades;
10-Atitude de buscar felicidade através de buscas significativas para a vida.

Todas estas 10 forças psicológicas foram ligadas ao bem-estar em vários estudos, embora a maioria dos estudos tenha sido transversal.

Neste estudo, todas as 10 forças foram administradas várias vezes durante o período de um ano, junto com medidas de realização de metas e bem-estar subjetivo – definido como uma combinação de satisfação na vida, emoções positivas frequentes e emoções negativas não frequentes.

O que nós descobrimos?

Sobre qual das 10 forças previram um maior aumento de realização de metas com o tempo (dois períodos de 6 meses), as respostas foram: curiosidade e coragem.

Porém, como as pessoas às vezes ficam apaixonadas pelas metas erradas com poucos benefícios, a pergunta mais importante era: quais forças aumentaram os efeitos da realização de metas em bem-estar subjetivo?

A única força que aumentou os efeitos da realização de metas em bem-estar subjetivo durante o período de 6 meses, duas vezes durante o ano, foi a curiosidade.

A coragem aumentou os efeitos da realização de metas em bem-estar subjetivo em um único período de 6 meses.

Assim, os benefícios da curiosidade e da coragem emergiram como as forças psicológicas mais duradouras e consistentes do que todas as outras oito forças sob estudo.

Estes resultados são empolgantes, mas existem alguns alertas importantes para ter em mente.

De modo algum, a lista de características psicológicas relacionadas ao bem-estar é exaustiva e há outros resultados importantes a considerar, além dos que estão neste estudo – incluindo satisfação com a vida, emoções positivas e emoções negativas.

Imagine que usamos um resultado diferente.

Quais as forças que “ganham” quando o foco é manter um relacionamento romântico satisfatório, íntimo e apaixonado? Qual “ganha” por ser produtivo no trabalho?

Criatividade no trabalho? Criar crianças autônomas e gentis que se sentem confiantes e amadas? Quais combinações de forças funcionam melhor?

Há tantas pesquisas excelentes que nos esperam.

Dito isto, este estudo internacional e longitudinal é uma extensão promissora de estudos menores sobre como a curiosidade e a coragem permitem que as pessoas encontrem fontes contínuas de prazer e satisfação em atividades de vida significativas.

Esqueça o veredicto bobo: vamos começar a colocar nossas ideias sobre o que funciona melhor, para quem e em que condições à prova. De novo e de novo.

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Psychology Today escrito por Todd B. Kashdan.

 

FONTEAwebic
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