Por Ana Beatriz Rosa

Como você tem educado os seus filhos?

Não importa se você é mãe ou pai de primeira viagem, ou se já tem quatro filhos. O questionamento de estar seguindo o caminho correto na formação de uma criança é latente em qualquer família.

Para além de manuais ou guias de boas práticas, há uma filosofia que pretende ajudar os pais e educadores na relação com as crianças. A disciplina positiva, baseada nos livros escritos por Jane Nelsen, aposta na firmeza com gentileza, sem punições ou recompensas, para educá-las.

“Sou mãe de quatro filhos e passo muito tempo com eles. Mas chega uma hora que você simplesmente se sente perdida e começa a achar que tudo o que está fazendo é dar murro em ponta de faca”, compartilha Luanda Fonseca, autora do blog No Drama Mom e mãe dos pequenos João, Irene, Teresa e Joaquim.

Perdemos a cabeça de vez em quando. Gritamos, engolimos a vontade de chorar e seguimos, até o fim, numa clara luta pelo controle, pelo poder. Não cedemos, não lembramos de respirar e diante do caos instaurado, a gente consegue piorar as coisas, simplesmente por não calar. É difícil admitir que erramos. É difícil bater em retirada. É difícil controlar a emoção e ceder espaço para a razão, mas nos piores momentos – brigas, birras, estresse – com as crianças, essa é a melhor alternativa. Pois, é. Você, adulto, pai ou mãe, tem esse direito. O direito de dizer que está chateado, que está com raiva e que é preciso um tempo. Tem o direito (e o dever) de cuidar e amar tanto o seu filho, que consegue perceber quando o limite já foi ultrapassado há muito tempo e que está na hora de se recompor, se retirar. Quando ficamos com raiva, acessamos o nosso cérebro reptiliano. Aquela parte bicho mesmo, onde as duas alternativas são: fugir ou lutar. É quando não pensamos, não sentimos. Estamos tão tomados por nossos instintos, que só nos interessa vencer. Mas a gente sabe que nos conflitos com os filhos não têm essa de ganhar ou perder, né? Então, se autorizar a admitir o que você sente é muito importante e muito, muito transformador. Vamos falar sobre esse e outros conceitos que a Disciplina Positiva traz no dia 3 de fevereiro, às 14 horas. Só restam 4 vagas! Vamos? Se você tem interesse, me manda um e-mail: [email protected]

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Lua conheceu as ideias da disciplina positiva quando o seu quarto filho nasceu. Ela estava em busca de como lidar melhor com as diferentes fases das crianças – o mais velho tem 9 anos e o bebê tem 7 meses.

“Sou avessa aos manuais da maternidade. A internet não era esse lugar fértil de informação quando fui mãe pela primeira vez, então fiz com o João tudo empiricamente, o que eu achava que eu tinha que fazer. Fui uma mãe de primeira viagem muito tranquila, mas chega uma hora que os desafios só vão aumentando e você acaba seus recursos. Então, como pensar isso de forma mais ampla?”, questiona.

Para Lua, a disciplina positiva foi uma resposta porque “são entendimentos que você leva para vida e não se restringe a relação pais e filhos.”

Por exemplo, dois conceitos bastante abordados na filosofia são a comunicação não violenta e a autonomia no crescimento das crianças.

Filhos são universos complexos e não demora a gente perceber que eles não são exatamente uma extensão de nós. Se é difícil equalizar os nossos desejos, vontades e dificuldades, imagina a de uma criatura que ainda não tem todas as ferramentas que nós adultos temos? Educar uma criança é um desafio gigante para o qual não somos preparados. Vamos fazendo tudo por tentativa e erro, repetindo padrões (nem sempre saudáveis), buscando na memória ou no esquecimento como reagir diante de determinadas situações. Muitas vezes, nos tornamos pais sem nem curar a criança que fomos e isso pode dificultar bastante as coisas. Mesmo assim, a minha maternidade nunca foi adepta dos manuais. Li alguns livros sobre o assunto e me vi tão mais angustiada do que antes, que achei por bem deixar para lá. Acredito que isso fez de mim uma mãe tranquila. Quando João nasceu, há nove anos, a internet era um campo menos explorado do que é hoje, então, não tinha ninguém cagando regra. Claro que isso não me privou de sentimentos como a solidão ou o medo, mas fui encarando tudo com muita serenidade, como parte do processo e sinto que o negócio fluiu. Até certo ponto. Sou mãe de 4 crianças e seria pretensão demais acreditar que sempre saberei o que fazer. Não saberei. Mas muitas vezes as respostas para nossas dúvidas não estão exatamente em um manual e sim na troca. Foi isso que me levou até a Disciplina Positiva. A Disciplina Positiva é o não manual, porque ela não te dá fórmulas milagrosas e nem receitas de sucesso para educar crianças. Ela te propõe ferramentas para que dentro da individualidade de cada família, o principio nas relações seja sempre o respeito, o amor e a conexão. Além disso, ao me formar pela Positive Discipline Association, eu não ganhei crachá de especialista em criação de filhos e de verdade, não acredito nisso. Sou uma facilitadora de conversas entre pais e mães dispostos a ouvir um pouco sobre a abordagem positiva e suas ferramentas e juntos desenhar caminhos de mudança com firmeza e gentileza. No dia 3 de fevereiro início minha jornada como educadora parental. Se você é de Brasília e tem interesse em conhecer um pouco mais sobre esse pensamento (continua nos comentários)

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Desenvolvida pelos psiquiatras Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, profissionais que viveram o período pós-guerra em Viena, a filosofia olha para os indivíduos e pensa sobre como cada um deles precisa ser aceito e identificado em suas relações. Adler acreditava que as crianças precisavam de ordem (estrutura e responsabilidade), mas também liberdade para criarem conexões com seu entorno. Para isso, sugere ferramentas, ou seja, comportamentos, que você pode ter na sua rotina pensando em uma relação mais a longo prazo.

“O que eu mais aprendi com essa filosofia foi respeitar os meus filhos. Entendi que preciso validar o que eles estão sentindo e ajudá-los a nomear esse sentimento. A partir do nome, a gente consegue trabalhá-los melhor. Outro ponto importante é que esse respeito é mútuo. Eu mostro para os meus filhos que eu também sou humana, e que também erro. Parece simples, mas o dia a dia faz com que a gente atropele algumas coisas”, compartilha Lua Fonseca.

Não se iluda. A vida do lado de cá é tão estressante quanto a sua. Quatro filhos, marido, casa, supermercado, contas para pagar, levar e buscar na escola, na natação, no futebol. Administrar emoções a flor da pele, viagens de trabalho, noites em claro, vontades, brigas, birras, choros, o combo completo, que tem em todas as famílias. Buscar o equilíbrio era a minha única opção. Ou era isso ou era enlouquecer, ceder aos gritos, a falta de paciência, a desconexão com meus filhos. E antes que você ache que o papo ficou hippie demais, te digo: esse equilíbrio não tem nada de zen e pelo tanto de esforço que demanda, está mais perto de um cross fit do que uma meditação em campos de trigo. Manter o equilíbrio dá trabalho e exige técnicas. É um esforço diário, até que uma hora vira hábito. E aí, as coisas vão se suavizando, sem jamais serem perfeitas, porque esse lugar é inatingível. Entendendo isso fica mais fácil cobrar menos de mim e dos meus filhos. Eu precisei buscar o equilíbrio na minha fala, nas minhas atitudes e no meu comportamento não para sair bem nas fotos do instagram, porque não dá para sustentar alegria de mentira, mas porque meus filhos vão crescer e eles desejo que eles queiram sempre voltar para casa, esse lugar mágico onde nossos medos, dores e amores são sempre respeitados e acolhidos.

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Para trabalhar essas ferramentas, por exemplo, é importante demonstrar que você é um bom ouvinte. Cada uma das crianças precisa ter o seu tempo de fala em separado. Olhe nos olhos, fale na altura do olhar da criança, diga que está atento e que o que a criança diz é importante.

Demonstre empatia, coloque-se no lugar da criança e reforce que você entende e valida o sentimento delas. Ainda, ofereça ajuda, ao invés de impor, experimente também pedir ajuda, no lugar de apenas cobrar. Frases do tipo “Como posso te ajudar?”, “Como vamos resolver essa situação?” ou ainda “Eu te entendo e imagino como está se sentindo” precisam estar inclusas nas conversas diárias.

Mas, quando a situação sair do controle, é preciso admitir as falhas. Outro ponto importante estimulado pela filosofia é lidar com a culpa.

“Eu preciso admitir que eu não sou perfeita. A internet causa essa impressão de que as mães precisam ser ideais, tem sempre o amparo emocional, e isso é uma carga de cobrança enorme. É preciso admitir que você é um ser humano e ser honesta”, compartilha Lua Fonseca.

Quando estou usando a disciplina positiva?

Conheça um pouco mais da abordagem:

1. Preocupação em desenvolver o senso de aceitação (conexão) e importância (significado) no seu contexto social;

2. A empatia é a ferramenta mais poderosa de uma relação. É ter a capacidade de entender a perspectiva da outra pessoa, colaborar na resolução de problemas, ser gentil e firme ao mesmo tempo.

3. O respeito é sempre mútuo em relacionamentos nos quais cada pessoa tem direitos iguais à dignidade.

4. Ao identificar um comportamento inapropriado, não há a necessidade de humilhar ou culpar a criança, mas focar em como resolver ou mudar aquele comportamento. Estabelecer a melhor estratégia para cumprir o que foi mutuamente combinado entre pais e filhos.

FONTEHuffpostbrasil
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