Ginastas, técnicos, árbitros, profissionais da limpeza e jornalistas ovacionaram, pela última vez, Oksana Chusovitina. Aos 46 anos, ela disputou as Olimpíadas pela 8ª vez, despedindo-se do esporte após 33 anos.

A atleta do Uzbequistão quebrou assim o próprio recorde, estabelecido há quatro anos no Rio de Janeiro, de ginasta de maior idade da história das Olimpíadas. É um feito sensacional, uma vez que este esporte é dominado por adolescentes.

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Dona de duas medalhas olímpicas, a ginasta encerrou a carreira no último domingo (25) em Tóquio, após a prova de salto. Pessoas de todo o mundo começaram uma salva de palmas, fazendo Oksana ir às lágrimas.

“Foi muito bacana. Minhas lágrimas foram de felicidade, porque muita gente me deu apoio durante todo esse tempo“, afirmou ela. Só faltou o público no estádio, vetado por conta da pandemia. Ainda assim, foi algo lindo de se ver.

“Eu não estava olhando para resultados. Estou muito orgulhosa e feliz. Estou dando adeus ao esporte, então os sentimentos são um pouco confusos. Mas estou viva, não tenho lesões e ainda posso ficar em pé sozinha”, completou Oksana, aos risos.

A ginasta uzbeque estreou nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992 (quase três décadas atrás!), onde defendeu a Equipe Unificada (países que faziam parte da União Soviética).

Naquela ocasião, aos 17 anos, ela ganhou a medalha de ouro na disputa coletiva.

Oksana continuou competindo nas olimpíadas seguintes, como em 1996…

Em 2000…

E em 2004…

Em 2008, aos 33 anos, defendendo a Alemanha na competição sediada em Pequim, disputou a final do salto e conquistou sua segunda medalha olímpica, de prata, ao superar a chinesa favorita da prova Cheng Fei.

Oksana defendeu o povo alemão até 2012, até retornar à seleção do Uzbequistão, seleção por onde se aposentou.

Além das incríveis 8 participações em Jogos Olímpicos, a ginasta ainda competiu em 10 Campeonatos Mundiais, acumulando 9 medalhas individuais no salto (outro recorde).

Ao lado de outras lendas da ginástica, como a cubana Leyanet Gonzalez, a soviética Larisa Latynina e a holandesa Suzanne Harmes, Oksana é uma das poucas atletas da modalidade a competir em alto nível após tornar-se mãe.

Ginástica a serviço do filho

Era para Oksana ter se aposentado aos 27 anos, em 2002, após as Olimpíadas de Sydney. No entanto, seu filho Alisher, à época com dois aninhos, foi diagnosticado com leucemia.

Foi aí que a Alemanha estendeu a mão à família, oferecendo o tratamento em troca de Oksana e seu marido Bachadir Kurbanov, da luta olímpica, defenderem a equipe germânica.

“Aceitei a proposta por mim e principalmente pelo meu filho. Ele é minha maior inspiração. E a ginástica é minha vida. É o que eu sei fazer da vida”, disse ela na época.

Foram anos difíceis para a ginasta, que vivia entre o hospital para os cuidados com o filho e o ginásio, onde fazia o que mais ama e conseguia relaxar a cabeça para dar mais força a Alisher. O rapaz hoje tem 22 anos, sendo mais velho que a maioria das ginastas que competem hoje em Tóquio.

“Quando voltei das Olimpíadas de Pequim, o médico disse que o meu filho estava curado. Acho que, para uma mãe, é uma notícia que nenhuma medalha pode igualar”, lembrou.

Aposentadoria adiada mais uma vez

Um ano depois de conquistar sua segunda medalha olímpica em Pequim-2008, Oksana decidiu parar de fazer o que tanto amava, mas voltou atrás de novo e defendeu os alemães também nas Olimpíadas de Londres, em 2012.

Ela anunciou – de novo – a aposentadoria, mas não podia deixar a ginástica sem vestir o collant do seu país natal, o Uzbequistão, nos Jogos. Eis que ela foi à final do salto na Rio-2016 e acabou na quinta colocação.

A oitava participação, agora em Tóquio, é a ‘cereja’ do bolo para Oksana, que agora, aos 46 anos, encerra – de vez, – a carreira. “Eu quero passar mais tempo com o meu filho. Ele vai para a universidade esse ano, na Itália, e quero estar por perto”, disse.

“Quero que as pessoas amem a ginástica”

Agora aposentada, Oksana já tem tudo planejado: não ficará longe de sua amada ginástica, porque pretende abrir uma academia em Tashkent, capital uzbeque, para ajudar as futuras gerações de atletas no esporte.

A ex-ginasta também deseja continuar praticando salto, agora em um palco, para “um espetáculo de teatro de ginástica“, visando popularizar o esporte no Uzbequistão, nação que adora a luta e o boxe.

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“Quero que as pessoas amem a ginástica, que vejam o quanto é bonita“, contou. “Quando as pessoas virem como é bonita, vão apressar-se para inscrever os seus filhos nestas aulas”.

Fonte: Upsocl

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