Por Andréa Martinell

Com 26 anos, o francês Matthieu Ricard decidiu deixar a carreira em biologia molecular para se dedicar à vida de contemplação como monge budista e desvendar o poder que a meditação tem na mente humana. Assim, uniu o conhecimento científico a uma vida em busca de paz interior – e compaixão. Atualmente, aos 69 anos de idade, ele é um dos monges mais célebres do Himalaia, além de ser tradutor de Dalai Lama para o francês.

Em sua concepção, o budismo não é uma religião mas sim “uma ciência da mente”. Desde que se dedicou à vida como monge, Matthieu sonhava em mostrar através da ciência capacidades ainda não desvendadas da meditação, por exemplo, alterar o cérebro humano e melhorar a felicidade das pessoas da mesma forma que levantar peso afeta os músculos do corpo. E ele conseguiu provar.

Matthieu se submeteu a uma pesquisa da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que comprovou que o monge budista pode ser considerado o “homem mais feliz do mundo”. Entre 12 voluntários que tinham mais de 10 mil horas de práticas meditativas, o grupo de pesquisadores constatou que o cérebro dele produz um nível de ondas gama nunca antes relatado no campo da neurociência.

Mas Matthieu reduz este título e não confirma que seus resultados foram os melhores:

“Nunca teria me autoproclamado como o homem mais feliz do mundo. Isso começou com um documentário da televisão austríaca. Em seguida, o jornal britânico ‘The Independent’ publicou uma reportagem anunciando que eu era a pessoa mais feliz do mundo. A importância da pesquisa foi provar que a mente é maleável. As conexões no cérebro não são fixas. Com esforço e tempo, elas podem ser modificadas, assim como a maneira como interpretamos o mundo”, disse à Galileu.

O estudo teve início em 2009, quando o neurocientista Richard Davidson conectou cerca de 256 sensores no cérebro do monge e o fez enfrentar uma bateria de eletroencefalogramas e tomografias cerebrais – assim como os outros voluntários.

Em ambos, os resultados comprovaram que o grupo apresentava um alto nível de ondas gama (de “emoções positivas”) no córtex pré-frontal esquerdo, local associado com a felicidade e a alegria. No lado direito, que lida com ansiedades e frustrações, as ondas eram inexistentes.

O homem mais feliz do mundo?

Os pesquisadores tabelaram a felicidade em uma escala de 0,3 (muito infeliz) a -0,3 (muito feliz), de acordo com a movimentação, ou não, das regiões do cérebro que ativam as emoções positivas ou negativas. . Três horas dentro de uma máquina de ressonância magnética e 256 sensores monitorando partes do cérebro resultaram em uma constatação surpreendente e inovadora: o índice obtido pelo monge foi -0,45.

Eis a explicação:

Quando Matthieu meditou em compaixão, o cérebro dele produziu níveis de ondas gama ligadas à consciência, atenção, aprendizado e memória que nunca haviam sido relatados na neurociência. A exploração do cérebro de Ricard revelou que, graças à meditação, o órgão tem uma capacidade anormal de sentir felicidade e propensão reduzida para a negatividade.

A tese que ele mesmo defendia, na prática, foi comprovada pela ciência.

O teste que provou a ‘felicidade’ de Matthieu

A notícia fez com que os jornais europeus colocassem um apelido em Matthieu, o de o “homem mais feliz do mundo”, e dali para virar best-seller, com o relato de suas experiências em linguagem sempre fácil, acessível e plena de lugares-comuns inteligentes, foi um pulo.

Mas ele não é o único que compatilha deste título: ele é com o nepalês Yongey Mingyur Rinpoche, que participou das mesmas pesquisas que Ricard, e também alcançou elevados índices de atividade das ondas gama e é grande amigo de Matthieu Ricard — também é autor do livro A Alegria de Viver.

Altruísmo pode mudar o mundo

Neste mês, ele está no Brasil para lançar seu livro novo intitulado A Revolução Altruísta (Palas Athena), em que exemplifica como uma sociedade com pessoas mais compassivas e altruístas pode ajudar até a frear o aquecimento global e gerar mais qualidade nas relações pessoais, construindo um planeta mais harmônico para todos, sem distinção.

Filho do filósofo Jean-François Revel e da pintora Yahne Le Toumelin, o monge nasceu em um berço rodeado de intelectualidade é autor de vários livros. Dois deles estão disponíveis em português: Felicidade – A Prática do Bem- Estar, e A Fortaleza de Neve. Ele também é fotógrafo e tem vários ensaios publicados. Atualmente mora no monastério Shechen, no bairro tibetano Bouda, em Katmandu, no Nepal.

Em uma palestra recente no TED, ele explica como a humanidade se distancia da felicidade e dá a receita para buscarmos um estado pleno de bem-estar: controlar a mente.

Acesse o link abaixo:

https://www.ted.com/talks/matthieu_ricard_on_the_habits_of_happiness?language=pt-br

Em um outro TED Talk, mais recente, ele fala sobre o altruísmo – e em como ele é capaz de mudar o mundo. Assista:

https://www.ted.com/talks/matthieu_ricard_how_to_let_altruism_be_your_guide?language=pt-br

 

FONTEHuffpostbrasil
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A Grande Arte De Ser Feliz
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