Cara, você está de sacanagem, né? Você fez um filho(a), amigo. Talvez não tenha ouvido essa ainda (porque normalmente é usado só para mulheres) mas “fazer foi fácil”, não foi? Então assuma. Não assuma só que você fecundou um óvulo, assuma que um ser humano está se formando e você é responsável por ele. Eu garanto: esse é possivelmente o maior tesouro que você terá.

Não vou mentir pra você, não. Não vai ser fácil. Você terá que fazer muitos sacrifícios e muitos deles não te trarão sorriso no rosto. Haverão noites em claro que não serão regadas de música alta, amigos ou bebidas. Haverão sábados de bagunça, em um pula-pula ou em uma balança de um parque qualquer ao invés do churrasco com amigos.

Sabe aquela dedicação ao trabalho que supera qualquer limite do bom senso? Reveja! Não só por você (já que estou sentindo que seu ego precisa ser alimentado com a rápida alavanca profissional) mas por esse ser que te olha nos olhos e te ama de toda alma.

Cansei de te desculpar historicamente. Vivemos no mesmo mundo? Estamos no mesmo ano? Eu também trabalho pra caramba, sujeito. Não quero ser heroína, não pedi pra ser aplaudida por dar conta de mil tarefas e não estou afim de educar um ser humano sozinha.

Assume seu papel de homem maduro! E antes que você me diga que não sabia da importância do papel de um pai na vida de uma criança, aqui vai: Fonte de segurança, autoestima, confiança pra lidar com o mundo, sentimento de pertencimento e amparo. Vai se dar o direito de negar isso?

Não me diga que “sou melhor nisso”. Não se esconda. Eu luto pra ser melhor todo dia, é uma batalha cheia de cansaço, de erros e acertos, de conexão, de lágrimas e de muito amor. Se você se jogar pra essa experiência eu prometo que você vai aprender muito sobre você, vai dar boas risadas e vai se sentir o cara mais importante do mundo.

Não seja o pai só do fim de semana! O pai cujas prioridades são diferentes (cof, cof), o pai do abandono, o pai semi presente e o pai distante. Seja pai! Abrace, troque fralda, dê de comer, dê banho, leve ao médico, converse com os professores e professoras, vá buscar na escola, dê remédio na febre, dê amparo na dor, dê risadas, dê tempo, dê ouvidos, dê ombros, limites e palavras doces.

E se for se afastar, não seja leviano. Não seja ligeiro e vá se afastando aos poucos, não faça uma criança sofrer porque você não é responsável o bastante. Não sente no meu sofá e se apoie no fato de que seu dia foi muito cheio pra pensar em educar ou dar atenção. Seja parceiro. Honre com a nossa decisão (ou imprudência) como eu o tenho feito.

Você não está me fazendo favor. Repito: isso não é um favor. Eu farei do meu “tempo livre” o que bem entender. Eu não mudo sua importância na vida do seu filho, as vezes até chego a lamentar isso. Não venha com doces ou agrados ocasionais, espaçados estrategicamente e intercalados com sumiços.

Seja digno de ser amado pelo seu filho, por favor.

(Autora: Pamela Greco)

FONTEPais que educam
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