Por José Micard Teixeira | Fãs de Psicanálise

O cansaço é o primeiro sinal de que algo não está bem conosco. A verdade é que temos tendência a desvalorizá-lo e a encontrar mil e uma desculpas para ele. Parece que temos dificuldade em entender que estar cansado é o mesmo que dizer que devemos perceber de onde ele vem e como podemos fazer para pará-lo.

O cansaço é um sinal muito poderoso de que existem coisas na nossa vida que nos esgotam. Inicialmente, esse cansaço é apenas físico, mas depois transforma-se em mental e, finalmente, em emocional.

Dizer que o cansaço é normal é o mesmo que dizer que também é normal sofrer e viver em esforço. Hoje, muitos nos incutem que a depressão é normal, que o cansaço e o descontentamento são próprios dessa sociedade competitiva e exigente. Parece algo sem remédio e inevitável. O problema é que muitas pessoas acreditam nisto e passam a achar normal estar deprimidos e cansados.

O cansaço não é normal e muito menos a depressão. Ambos resultam de estarmos em esforço e de não conseguirmos sair de lá. O cansaço é um sinal de que não estamos onde deveríamos estar, de que não estamos fazendo aquilo que devíamos estar a fazer. É um sinal de que não estamos no nosso caminho ou, se estamos, estamos num ritmo que, supostamente, não é o nosso.

Assim, o cansaço surge na nossa vida como consequência de uma de duas situações:
– Por estarmos fazendo algo que não queremos fazer.
– Por estarmos fazendo algo que gostamos, mas num ritmo muito acelerado.

Em qualquer uma das situações, o necessário é parar, antes que seja tarde. No primeiro caso, quando estamos fazendo algo que não queremos fazer, seja num trabalho, numa relação, num local, ou seja em que situação for, o cansaço é inevitável.

Estar no caminho errado, estar onde não devíamos estar, só nos faz querer chegar depressa mais à frente: ao fim de semana, às férias, ao final do ano, etc. e perdemos a possibilidade de viver o momento presente, o único onde podemos e devemos fazer a diferença.

Quando estamos no caminho errado, a verdade é que nem sentimos o caminho. Só queremos que tudo passe depressa e esperamos por um milagre para o qual não fazemos nada para que aconteça. Muitos de nós ainda não entenderam que os milagres partem sempre de nós. Nós somos o próprio milagre, pela capacidade que temos de criá-lo na nossa vida.

Quando estamos num caminho errado, num caminho onde não queremos estar e que não nos diz nada, o destino final nunca nos agrada, porque a desilusão e a frustração estão sempre presentes durante a viagem. Assim, sempre que estivermos nesta situação, devemos parar para entender o que está nos provocando o cansaço e, depois, mudar. Se não mudarmos o que nos cansa, vamos inevitavelmente entrar em depressão e lamentar muito mais coisas na vida.

Não parar nestas situações é nos condenar ao cansaço extremo, ao cansaço físico, mental e emocional. E depois, tudo fica bem mais complicado, porque falta-nos a força e o discernimento para dar a volta e encontrar uma solução. Normalmente, quando não paramos, a vida nos para, de uma forma bem mais dura. Parar é fundamental para nos reorganizarmos e escolhermos qual a mudança que vai nos tirar de onde o cansaço persiste.

Na segunda situação, quando estamos fazendo algo que gostamos, mas estamos andando depressa demais, o cansaço também é inevitável. Normalmente, estamos querendo chegar demasiado depressa a um lugar que achamos fundamental e, como tal, estamos dando demasiado de nós mesmos.

Tudo tem um ritmo e um tempo próprio. Estar fazendo o que gostamos não é exceção. Quando queremos dar mais do que aquilo que podemos, mesmo sendo para algo de que gostamos, vamos acabar caindo na metade do caminho… e tudo fica perdido. Aliás, regra geral, o cansaço que sentimos leva-nos a inevitáveis e obrigatórios fracassos, que por sua vez levam a deixar de acreditar em nós mesmos e naquilo que tanto gostamos.

Por isso, quando estamos fazendo algo de que gostamos, não queiramos chegar a lado nenhum senão ao momento presente. Podemos fazer planos, mas não querer atingi-los a todo o custo, com esforço ou horas extras. Aquilo de que gostamos deve ser usufruído e nos proporcionar bem-estar. Quando forçamos algo, isso deixa de ser bom para nós.

Lembremo-nos sempre de que onde existe esforço, existe cansaço. Onde existe cansaço, existe sofrimento. Que possamos ficar apenas onde nos sentirmos bem e que mudemos tudo aquilo que nos faça sentir cansados. A vida é uma bênção. Não vamos transformá-la num tormento.

Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

FONTEFãs de psicanálise
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