Por Nathan Rodrigues

A tecnologia está aí para nos beneficiar em tarefas comuns do dia a dia e em outros aspectos da vida, certo? Depende. Essas vantagens só podem ser sentidas se o uso dos dispositivos digitais e suas ferramentas for moderado. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde já enxerga com mais ressalva essa relação. Uma prova disso é que a entidade classificará, em breve, o vício em jogos eletrônicos como um transtorno mental. Nós, do Portal Boa Vontade, já destacamos por aqui como ela pode jogar contra nossa saúde, vale a pena conferir os links abaixo (depois de ler a essa matéria, ok?):

Essa condição será incluída na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) sob o nome de “distúrbio de games”. O documento reúne a definição e os códigos de patologias, orientando o trabalho de médicos de todo o mundo. No manual, o quadro é descrito como um padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, fazendo com que a pessoa prefira os jogos a qualquer outro interesse na vida.

“A dependência de comportamento é muito semelhante à química. Vários hábitos que temos e que fazemos de modo produtivo, saudável, no caso do dependente, ganha características de empobrecimento, escravidão, prejuízo”, explica, ao programa Viver é Melhor, da Boa Vontade TV*, o psiquiatra Aderbal Vieira Junior, coordenador do Ambulatório de Tratamento de Dependência de Comportamento do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Unifesp.

Alguns países já tinham identificado o vício em jogos eletrônicos como um problema grave de saúde pública. O Reino Unido, por exemplo, oferece clínicas privadas para tratar o distúrbio. Coreia do Sul e China tomaram medidas mais rígidas, limitando as horas de videogames para menores de 16 anos. Já o Japão determinou que os fabricantes alertem os usuários de que passam tempo demais em frente a um videogame ou computador.

Pais: atenção aos jovens!
O assunto pede muito cuidado, gente. Estima-se que um jovem da geração digital gaste, até os 18 anos, cerca de 20 mil horas jogando. Muito tempo, não?

Uma pesquisa, realizada no Reino Unido com mais de 1,4 mil gamers declarados entre 18 e 40 anos, revelou que eles vão passar 1,8 ano de sua vida jogando videogame. Os entrevistados responderam que jogam, em média, 9,2 horas por semana. Por ano, a soma chega a 478 horas ~ cerca de 19 dias inteiros! O levantamento, encomendado pelo site de comparação de preços de games Playr2, afirma ainda que as crianças começam a jogar a partir dos 9 anos.

“A internet não existia 30 anos atrás. Há uma geração que acompanha tudo isso e esse acesso aos jogos e à internet choca muito mais as pessoas mais velhas, elas sentem um certo estranhamento. (…) Essas crianças já sabem mexer num tablet antes mesmo de se alfabetizarem, mexem melhor que os pais e não têm essa dimensão. Para elas, o mundo sempre foi assim. Ficar muito tempo em jogos é uma norma, nunca foi de outro jeito”, destaca o dr. Vieira Junior.

Sintomas do vício em jogos eletrônicos

É fundamental que pais e responsáveis estejam atentos ao tempo em que os jovens e crianças passam em frente a uma televisão, jogando videogame, ou no computador. A brincadeira pode se tornar um problemão.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos realizou uma pesquisa que revelou que 12% dos jogadores entre 8 e 34 anos demonstram sinais de vício em jogos. O estudo foi feito na região de Seattle com pessoas entre 19 e 90 anos.

Daí vem a dúvida: como saber se seus filhos, familiar, amigo ou até mesmo você sofre desta condição ou está apenas empolgado com algum jogo? O primeiro passo é saber identificar os sintomas do distúrbio. Eis aqui os principais:
– Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;
– Priorizar jogar videogame a outras atividades;
– Continuar ou aumentar ainda mais a frequência com que joga videogame, mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito.

“Um dos critérios de dependência é a disfuncionalidade, isso atrapalha a vida de uma pessoa. Temos uma geração que já vem prejudicada por causa desse relacionamento. Um jogador de videogame patológico deixa de sair com os amigos, de fazer atividade física, de ter mais contato com a família. Tudo é voltado aos jogos eletrônicos”, comenta o coordenador do Ambulatório de Tratamento de Dependência de Comportamento do Proad.

O vício em jogos eletrônicos ainda está associado, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Universidade de Bergen, na Noruega, desenvolvido pela psicóloga Cecilie Schou Andreassen, com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtorno obsessivo compulsivo e até com a depressão. A pesquisa analisou o comportamento de cerca de 23 mil pessoas e foi publicada na revista da Associação Americana de Psicologia. Você pode ler o trabalho, em inglês, clicando neste link.

Um adolescente viciado em games, completa o dr. Viera Junior, tem “grande atraso escolar, dificuldade de comunicação, conversando apenas no internetês.” Nós já falamos sobre esse idioma da web prejudica os jovens, empobrecendo o vocabulário e atrapalhando o desenvolvimento escolar, dentre outras consequências. Vale a leitura, beleza?

Como tratar vício em games?
Se você acredita que se encaixa nesse distúrbio, ou identifica esse comportamento em algum parente ou amigo, é recomendável procurar ajuda de um profissional. O psiquiatra da Proad recomenda, contudo, que a família e os amigos estejam disponíveis para auxiliar o jovem neste processo. O apoio de pais, irmãos, primos, avôs e amigos é fundamental.

“Pessoas que estão ao redor podem perceber essa disfuncionalidade antes mesmo da pessoa que está no olho do furacão. (…) Então, elas têm um papel importante nessa percepção. São os responsáveis que darão esse controle, impor esse parâmetro”, disse.

A bronca, segundo os especialistas, nem sempre é a melhor saída para o problema. Conversa sim, bronca não!
Para tratar o vício em games, o dr. Vieira Junior aconselha pais, responsáveis e amigos a oferecerem para o indivíduo com o distúrbio opções mais saudáveis de lazer. “Se a dependência é a perda da liberdade, da escolha, o empobrecimento, a limitação, o antídoto é a liberdade, a autodeterminação. Como eu previno uma criança ou adolescente dependente do videogame? Tentando ajudá-lo a ter uma vida rica, ampla, cheia de interesses”, destaca.

Nós aproveitamento a oportunidade para deixar algumas dicas muito úteis de diversão:
– Encontro com amigos e família;
– idas ao cinema e teatro;
– Ir a parques;
– Andar de bicicleta;
– Praticar algum esporte.

Oferecer opções mais saudáveis de lazer é uma boa saída para tratar o vício em jogos eletrônicos.
A privação do objeto de dependência, no caso o videogame ou o computador, no entanto, não é a única saída recomendada. Para o Aderbal, essa pode ser uma estratégia, não uma medida principal. “Se você afasta uma pessoa que já está muito limitada, presa a esse comportamento, não constrói uma distância, não terá um espaço de manobra. Taticamente, pode ser interessante uma revisão de comportamento, mas o fundamental não é retirar o objeto de dependência. Importante é dar todo o resto, construir ou reconstruir repertório”, explica.

“Todo pai quer ter um filho feliz, inteligente, com uma gama variada de interesses, bem adaptado à vida. A profilaxia é tentar construir isso”, finaliza. Bora lutar contra o vício em jogos eletrônicos?


Ferramenta do Bem

Não queremos dizer, gente, que a tecnologia deve ser evitada. Ela é, como dissemos na abertura deste texto, uma ferramenta a serviço da Humanidade. Se há um lado ruim, que traz prejuízos ao nosso bem-estar físico, mental e espiritual, também existe todas as vantagens. Na nossa seção de Tecnologia, por exemplo, sempre destacamos os benefícios decorrentes dos avanços tecnológicos.

Se usada de maneira racional, sem exageros, a tecnologia e seus componentes, como a internet e até os jogos eletrônicos, serão grandes aliados do desenvolvimento humano. “Enquanto isso for um elemento a mais no repertório existencial, que é amplo, vem para somar. Essa é a diferença do uso saudável e um dependente”, aponta dr. Vieira Junior.

O vício em jogos eletrônicos deve ser evitado, não a tecnologia em si. É uma outra abordagem, entende?

O vício em games é sério e pede nossa atenção. Estejamos de olhos bem abertos para identificar os sinais e saber ajudar a qualquer pessoa que tenha esse distúrbio. =D

FONTEBoa Vontade
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