Por Sil Guidorizzi

Sem apego, sem melancolia. Sou um coração errante que já sofreu bastante…

Às vezes fico aqui pensando na vida, na direção que ela tomou, nas coisas que eu disse adeus, nas pessoas que chegaram e se foram assim tão rapidamente, feito passageiros do tempo.

Eu penso nas causas do amor, nas coisas que não me deram chance de escolha, nas promessas que ouvi, nas flores que recebi, na vontade que tive de ter alguém para a vida inteira; na crença do amor eterno, no encontro de almas, em tudo que desencadeou o meu hoje um pouco solitário, mas, ao mesmo tempo, digno e suficiente.

Às vezes, penso no apoio que não tive, na coragem de ter deixado tudo para trás só pra poder recomeçar depois de ter-me anulado tanto, por ter que me fingir de morta, vendo tudo que prejudicava meu coração.

Hoje um pouco nostálgica, sinto que não posso confidenciar o que vai a mim assim. Sou um livro de cabeceira, sou oração no meio da noite, sou mais reflexão e silêncio. Eu tenho um mundo particular, um mundo meu. Um mundo onde ninguém mais vai passar por cima de mim e nem dizer que eu não mereço felicidade.

Porque felicidade está em desejar o bem ao outro, está em querer que todos fiquem bem. Está em ser o protagonista das próprias emoções e deixar-se viver.

A diferença está na vibração e no coração de quem entende e compreende as leis de Deus.
Talvez eu seja diferente, por vezes, inocente. Talvez eu não queira mais saber daquilo tudo que disseram pelas minhas costas, talvez eu não queira mais ficar exposta a tanto frio ou morrer à míngua por falta de amor.

Às vezes, só o fato de alguém dizer “Ei, conte comigo”, é como se o alívio chegasse em forma de sedativo ao espírito. É como se em meio a uma imensa multidão de rostos, alguém se destacasse pelo seu nobre valor e não empobrecesse meu viver.

Talvez eu prefira viver em doses mais homeopáticas a ter que ingerir tanta coisa desmedida, tanta coisa que dopou meu olhar adormecendo as coisas que eu preciso voltar a ver.

Eu ainda tenho muita coisa para contar, mesmo que ninguém me ouça. Não faz mal. Eu falo sozinha, eu ando pela casa como quem procura sempre algo para fazer.

Talvez eu só precise de uma única porta, uma única forma de deslanchar para o mundo.
Talvez essa seja a fonte do recomeço. Sem apego, sem melancolia. Sou um coração errante que já sofreu bastante e que mesmo assim ainda busca acariciar a alma com as pequenas coisas que se mostram receptivas.

Às vezes, eu fico pensando na vida e sinto que por mais que tentem roubá-la de mim, não haverá sucesso. Entre dores e podas, entre sorrisos e recomeços, ela é minha. Com ela não há quem possa!

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