Por Ivonete Rosa

Quando uma mulher faz barulho, ela quer ser ouvida, ela mostra o quanto se importa com a relação. Ela quer ajustar aquilo que está fora de ordem. Então, ela vai falar incansavelmente, vai esbravejar, vai dizer coisas das quais vai se arrepender depois, vai chorar, mas uma coisa é fato: a intenção dela, ao agir assim, é sempre proteger a relação, mesmo que os seus métodos não sejam os mais sensatos.

É o oposto da mulher que silencia, pois nesse caso, ela já argumentou exaustivamente com o parceiro. Ela já se importou demais e, agora, tanto faz para ela. Tanto faz, na melhor das hipóteses, pois, para muitas, o silêncio é a tradução da mais completa indiferença.

É que, ao contrário do que se pensa, o oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. Enquanto uma mulher briga, ela ainda está emocionalmente vinculada ao parceiro.

O silêncio de uma mulher diz muito, chega a gritar. Ela está gritando aos quatro cantos que já se deu conta de que não é valorizada o suficiente, e que não aceita mais essa situação. Este silêncio berra que ela não está mais disposta a receber migalhas em troca do amor da melhor qualidade que ela oferece.

Silenciosa, ela protesta o descaso com que foi tratada. Ela acordou para a vida, acordou para si. A mulher calada está focada em se observar, em se proteger e se perdoar por toda a dor que sofreu com o consentimento dela, de certa forma.

Em silêncio, ela diz em alto e bom tom: ‘Eu me cansei de lançar pérolas aos porcos’.

É isso, ela entendeu que não precisa mais se desgastar com quem não merece, ela está disposta a se resgatar e esse é um caminho sem volta.

Uma mulher que silencia selou um pacto com a própria dignidade.

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