Após engravidar do seu primeiro filho, Janice Rastrello trabalhava na prefeitura de Osasco (SP).

Quando sua licença-maternidade acabou – época em que coincidiu com a eleição de um novo prefeito – ela acabou sendo despedida.

“Enviei alguns currículos e fui chamada para várias dinâmicas e processos seletivos na capital de São Paulo”, contou Janice à Revista Crescer.

O problema, conta ela, era quando o entrevistador descobria que ela tinha um filho pequeno, de 2 anos. “Logo me descartavam. Teve uma vez que colocaram todos os candidatos em uma sala e a primeira pergunta que a entrevistadora fez era quem tinha filhos. Eu e mais uma menina levantamos as mãos e fomos cortadas na hora. Fiquei horrorizada!”, relembrou.

Após esse episódio constrangedor, ela decidiu fazer outra entrevista. Desta vez, não colocava mais no seu currículo que tinha filho: no máximo, que era casada.

“Sempre achei que ninguém deveria ser contratado (ou não!) por causa da maternidade. Fui muito bem na dinâmica de grupo, na prova e no teste prático. Na última entrevista, já com a chefe, estava só esperando ela dizer o dia para eu começar quando a percebo olhando fixamente na minha aliança”, disse Janice.

“Nossa, você só tem 26 anos e já é casada?”, questionou a entrevistadora. “Respondi que sim. Ela emendou: “Mas você não tem filhos, né?”. Pensei um pouco antes de responder e sabia que, se dissesse sim, seria descartada novamente. Neguei. Resultado? Sai de lá admitida”.

Por conta disso, Janice precisou sustentar sua mentira por um bom tempo.

Assim, seu filho não foi incluso no convênio médico e também não teve direito ao auxílio-creche.

“Comecei a trabalhar e parece que tudo começou a dar errado. O Pedro não se adaptou à babá. Ela me ligava toda hora e tinha que sair da sala para atender ao telefone. Tinha receio de alguém me ouvir e descobrir tudo. Quando ele ficava doente, inventava qualquer desculpa para não ir ao trabalho. Inclusive, ficava com falta porque o atestado médico era de acompanhante de uma criança e eu não poderia entregar Na hora do almoço, morria de medo de dar uma “gafe” e dizer sem querer sobre o meu filho”, relembra a paulistana.

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Ao todo, a farsa durou quatro meses – tempo que Janice conseguiu aguentar até ser despedida.

“No dia em que fui despedida, tive coragem de revelar para a chefe que tinha um filho de 2 anos. Ela perguntou o motivo de não ter dito antes. Respondi que, se falasse a verdade, certamente ela não iria me contratar”, relembra.

Sua chefe ficou muito ‘sem jeito’, mas não negou a acusação. “Mais uma vez, tive a certeza de que estava certa e que a maternidade seria o motivo para eu não ser contratada”.

Ela ficou desempregada por alguns meses até voltar ao mercado de trabalho como assessora política. “Só que desta vez não menti e falei sobre o Pedro. Tive meu caçula, o Miguel, e trabalhei até ele completar 5 anos”.

“Depois disso resolvi trabalhar por conta e com fotografia para ficar mais próxima da minha família. Hoje, 14 anos depois, percebo que as empresas ainda são bem cruéis com as mulheres, sobretudo com as mães. É uma pena, pois depois que nos tornamos mães somos tão melhores, em todos os sentidos. Acho que quem perde são realmente os empregadores!”, concluiu Janice.

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