Recentemente, o renomado pediatra espanhol Carlos González veio ao Brasil para conversar sobre temas que geram grande preocupação nos pais, como amamentação, sono, alimentação e desfralde das crianças.

Calos é pai de 3, avô e profissional de extenso currículo – incluindo aqui doutorado em Pediatria, especialização em Amamentação e a autoria de diversos livros.

Em uma plateia recheada de pais experientes e de primeira viagem, o pediatra deu conselhos e desmistificou falácias.

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“Eu acho que o mais difícil é filtrar as informações que chegam até a gente, principalmente de familiares. Recentemente, Lilah teve uma tosse incessante por três meses e, por pressão deles, fui contra os meus instintos e acabei tomando a decisão errada. Me senti culpada, chorei, mas foi um aprendizado”, contou a chef de cozinha Aline Glade, 33, mãe de Lilah, 2 anos. “Acho que esses encontros nos trazem mais segurança para continuarmos sendo os melhores pais e reafirmar tudo o que a gente vem fazendo”.

A palestra do pediatra foi realizada pela Editora Timo e com o apoio da Revista Crescer, no dia 10 de outubro, no Teatro Fecap.

“Sonhamos e conseguimos reunir essa turma incrível de pessoas em um evento muito bacana, para nos sentirmos mais potentes, mais felizes, mais conectados”, anunciou Ana Basaglia, publisher da Editora Timo, durante a abertura.

Crianças bem-humoradas

O pediatra citou diversas situações do seu cotidiano. “As mães, quando vão ao pediatra pela primeira vez, costumam perguntar se precisam colocar despertador para amamentar o filho durante a madrugada. Mais tarde, elas ficam loucas, pois o bebê acorda de duas em duas horas. Então, eu digo: ‘Agora você pode ficar tranquila, pois não precisa de um despertador”, brincou.

“Nessa idade, a única coisa que o bebê quer é a presença da mãe. Muitas vezes, quando ele acorda, ele quer apenas ela. Até os 3 anos, mais ou menos, ele vai chorar pedindo por você. Depois disso, ele vai parar de chorar, pois vai conseguir levantar e ir para a sua cama”, avisou.

À respeito da “cama compartilhada”, Carlos disse: “Basicamente, um bebê pode dormir em um moisés ao lado da cama dos pais, na cama com os pais ou sozinho, no seu próprio quarto. Cada família tem sua maneira. O importante é que os pais tenham o direito de dormir da maneira que quiserem e que possam mudar essa maneira, mais tarde, se desejarem”. Mas também fez alguns alertas, principalmente quanto aos riscos de asfixia. “A Academia Americana de Pediatra alerta quanto ao uso de pelúcias, protetores de berço, cobertores e almofadas dentro dos berços”.

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Verdades e (muitos) mitos

Na conferência, o pediatra também pontuou sobre alguns dos principais mitos da maternidade. “Quem já não ouviu a frase: ‘Não sei porque amamentar por tanto tempo. Seu leite não alimenta, agora é água’. Quanto mais o tempo passa, maior será a quantidade de calorias passadas pelo leite. O leite materno, se comparado a outros alimentos como papinhas, frutas e legumes, possui mais calorias, além de proteínas e cálcio”, disse.

Questionado sobre a alimentação das crianças, ele afirmou: “Muitos me dizem: — Meu filho só quer comer doce! — Somos responsáveis pela comida que temos em casa. Se o seu filho só come chocolate, é porque você compra. O problema, então, não é o chocolate”. Além disso, o pediatra afirma que é um erro achar que criança deve comer de tudo. “Antigamente, cada região comia apenas os alimentos que cultivavam. Não se tinha acesso a tudo. Ela pode não comer de tudo, mas ter uma alimentação saudável”, completa. E quando seu filho recusar o parto, Dr. Carlos dá a dica: “prêmios ou castigos não servem para nada. Não insista, não faça promessas ou chantagem emocional. Deixe a criança em paz. Faça a refeição e ofereça. Se não quiser, tudo bem. A responsabilidade de oferecer alimentos saudáveis é sua. Você decide o que ela vai comer. Alguns dias, ela vai comer mais e outros menos. Todos somos assim”, explicou.

Sobre as temidas birra, Carlos contou: “É mito dizer que as crianças precisam aprender a tolerar suas frustrações. Nenhuma criança precisa aprender a controlar-se como se não estivesse frustrada. Não podemos ensinar a criança a fingir. É nossa obrigação dizer o que elas devem ou não fazer, e elas ficarão frustradas, sim. Mas nós é que devemos aprender a tolerar as frustrações delas. Não podemos esperar que façam tudo o que mandamos e ainda fiquem agradecidas, isso é impossível”.

Ao final, o espanhol deixou uma mensagem de alívio aos pais: “Passamos décadas escutando que as crianças devem ser estimuladas com músicas, brinquedos e conversas. Os pais de hoje em dia já chegam no consultório com um bebê de um mês querendo saber o que devem fazer para estimular o tato, o olfato.. Crianças não precisam de pais que fiquem falando, brincando, gesticulando ou cantando o tempo todo. Precisam de pais que abracem, mesmo que em silêncio, e os deem afeto. Estímulo demais acaba até sendo perturbador e uma poluição sonora para eles. Seus filhos vão crescer muito mais rápido do que você imagina. Não perca tempo se preocupando com coisas pequenas”.

“Leveza e afeto. Se eu fosse resumir a maternidade e paternidade pelo olhar do Dr. Carlos González seriam essas as palavras que mais ele nos transmite ao falar do cuidado com os filhos. Foi um dia inspirador e cheio de informação, que tira aquele aperto no coração de muitos pais que buscam fórmulas prontas ao cuidar dos filhos”, finalizou a editora-chefe da CRESCER, Ana Paulo Pontes. “Ele é incrível. Eu acho que o que ele falou hoje deveria estar em todos os ônibus, em todas as escolas, em todos os ambientes públicos, pois em todos eles têm crianças, uma mãe e um pai. As frases dele salvariam, sem dúvida, a sociedade como um todo. Ele te mostra uma lógica e você pensa: ‘Nossa, é tão simples! Como não pensei nisso antes?’ É uma ‘calma’ pra quem está cheia de tanta culpa”, finalizou a professora, bióloga e consultora em aleitamento materno e mãe de dois, Livia Polichiso, 33.

Fonte: Revista Crescer

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